DINHEIRO DA PRAÇA SENSORIAL VAI PARA PONTES E MATA-BURROS”: Câmara aprova remanejamento de verba destinada a projeto de inclusão em Monte Carmelo
Por 5 votos a 4, vereadores aprovam crédito especial de R$ 936,5 mil para obras rurais; recurso anteriormente vinculado à Praça Sensorial passa a integrar ações de infraestrutura rural
MONTE CARMELO (MG) — A Câmara Municipal de Monte Carmelo aprovou, no último dia 25 de maio de 2026, por 5 votos a 4, o projeto que autoriza a abertura de crédito especial no valor de R$ 936.500,00 para ações da Prefeitura Municipal, com foco em obras de infraestrutura rural, incluindo construção e reforma de pontes e mata-burros vicinais.
A decisão gerou repercussão entre famílias atípicas do município porque parte dos recursos utilizados para abertura do crédito estava anteriormente vinculada à construção da Praça Sensorial, proposta voltada ao acolhimento e inclusão de crianças neurodivergentes.
O texto aprovado pela Câmara registra a anulação da ação orçamentária:
“1.740 – Construção Jardim Sensorial Praça da Areia”.
Ao mesmo tempo, o projeto cria dotação específica para:
“1.259 – Construção e Reforma de Pontes e Mata Burros Vicinais”.
Com isso, os recursos anteriormente previstos para o projeto da Praça Sensorial passam a compor ações ligadas à infraestrutura rural.
Projeto da Praça Sensorial havia sido articulado para famílias atípicas
A emenda parlamentar de R$ 450 mil destinada ao projeto foi articulada pelo vereador Caxias Arlen Graciano de Souza (Professor Caxias), do PSDB, junto à deputada federal Ana Paula Leão.
Professor Caxias, que é pai atípico, vinha defendendo publicamente a implantação da Praça Sensorial como uma proposta voltada à inclusão social e acessibilidade para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outras condições neurodivergentes.
O projeto previa:
- brinquedos adaptados;
- áreas de estímulo sensorial;
- espaços de convivência familiar;
- estrutura acessível e inclusiva.
Para famílias ligadas à causa, o espaço representava um avanço importante em políticas públicas de inclusão no município.
Os vereadores que votaram favoravelmente ao projeto
Votaram favoravelmente à abertura do crédito especial:
- João Batista Nunes (João Nunes) — Republicanos — Presidente da Câmara;
- Amir Campos Ferreira (Amir Batata) — PSD;
- Simone Teles da Silva Costa (Simone Teles) — PSD;
- Carpegiane Correia de Souza (PG da Patrola) — PSD;
- Sidicley de Souza Peres (Sidicley Protetor dos Animais) — PSD.
Com o placar apertado de 5 votos a 4, o posicionamento do presidente da Câmara teve relevância no resultado final da votação.
João Nunes já declarou em plenário atuar como líder do governo dentro do Legislativo municipal, e a aprovação consolidou o apoio da base governista ao projeto encaminhado pelo Executivo.
Após a sessão, famílias atípicas e apoiadores da causa neurodivergente manifestaram críticas à mudança de prioridade do recurso anteriormente vinculado à Praça Sensorial.
PARA ONDE VAI O DINHEIRO AGORA?
Segundo o projeto aprovado, o crédito especial será utilizado principalmente para:
- construção de pontes vicinais;
- reforma de pontes rurais;
- construção de mata-burros;
- manutenção de estradas rurais;
- melhorias ligadas ao transporte e escoamento agrícola.
Na justificativa oficial enviada à Câmara, a Prefeitura afirma que as obras têm como objetivo:
- garantir o tráfego de veículos;
- assegurar o transporte escolar;
- facilitar o escoamento da produção agrícola e pecuária;
- fortalecer a economia local.
O texto também classifica a proposta como matéria de relevante interesse público.
Deputada Ana Paula Leão comenta decisão
Responsável pela destinação da emenda parlamentar, a deputada federal Ana Paula Leão afirmou que recebeu a decisão com tristeza.
“A Praça Sensorial não é apenas uma obra. É um projeto pensado para levar inclusão, dignidade e acolhimento às famílias atípicas de Monte Carmelo.”
A parlamentar destacou ainda que os recursos estavam disponíveis desde outubro de 2025.
“Houve tempo para que o projeto pudesse avançar. Mas isso não aconteceu. E agora, infelizmente, a Praça Sensorial ficou para trás.”
Ana Paula Leão também declarou que continuará defendendo pautas ligadas às famílias atípicas no município.
Debate sobre prioridades públicas
A decisão passou a dividir opiniões em Monte Carmelo.
De um lado, moradores e produtores rurais defendem a necessidade de investimentos em pontes, estradas vicinais e infraestrutura rural.
Do outro, famílias atípicas questionam a perda de prioridade de um projeto voltado à inclusão social antes mesmo de sua execução.
A votação ampliou o debate público sobre prioridades administrativas e destinação de recursos no município.
E a discussão que permanece entre moradores, educadores e apoiadores da causa neurodivergente é:
Como equilibrar investimentos em infraestrutura rural e projetos de inclusão social dentro do orçamento público?
FICO PENSANDO… A NOITE EM QUE CINCO VOTOS MUDARAM O DESTINO DA PRAÇA SENSORIAL.
A política tem dessas coisas. Às vezes, uma votação dura poucos minutos. Mas os efeitos dela permanecem por muito tempo na memória de uma cidade.
A sessão da Câmara Municipal de Monte Carmelo que terminou em 5 votos a 4 não decidiu apenas a abertura de um crédito especial de R$ 936,5 mil.
Também abriu um debate que hoje divide opiniões dentro do município.
De um lado, obras rurais consideradas importantes para transporte, mobilidade e escoamento agrícola.
Do outro, um projeto aguardado por famílias atípicas que sonhavam ver Monte Carmelo construir, pela primeira vez, uma Praça Sensorial voltada ao acolhimento de crianças neurodivergentes.
E no fim da sessão, o projeto da Praça Sensorial perdeu prioridade dentro do orçamento municipal.
O recurso havia sido articulado pelo vereador Professor Caxias junto à deputada federal Ana Paula Leão.
E existe um detalhe que tornou essa discussão ainda mais sensível:
Professor Caxias é pai atípico.
Por isso, para muitas famílias, a pauta ultrapassava o campo político.
Ela carregava também um significado humano e social.
Os vereadores que votaram favoravelmente ao crédito especial foram:
- João Batista Nunes (João Nunes);
- Amir Campos Ferreira (Amir Batata);
- Simone Teles da Silva Costa (Simone Teles);
- Carpegiane Correia de Souza (PG da Patrola);
- Sidicley de Souza Peres (Sidicley Protetor dos Animais).
Com a votação apertada, o posicionamento do presidente da Câmara teve relevância no resultado final.
O parlamentar já declarou em plenário atuar como líder do governo dentro do Legislativo municipal.
Tudo ocorreu dentro da legalidade do processo legislativo.
Mas decisões políticas também produzem debates públicos e diferentes interpretações dentro da sociedade.
Enquanto apoiadores do projeto aprovado defendem a necessidade das obras rurais, famílias atípicas passaram a questionar a perda de prioridade de um projeto considerado simbólico para inclusão social no município.
A justificativa oficial da Prefeitura aponta que os recursos serão utilizados para garantir tráfego rural, transporte escolar e fortalecimento da economia local.
Argumentos considerados relevantes para a infraestrutura do município.
Mas do outro lado permaneceram mães, pais e crianças que aguardavam um espaço de acolhimento e acessibilidade.
Para muitas dessas famílias, a Praça Sensorial representava mais do que uma obra pública.
Representava pertencimento, reconhecimento e visibilidade.
Enquanto isso, as obras rurais devem avançar.
Já a Praça Sensorial continua aguardando definição.
E Monte Carmelo agora convive com uma pergunta que vai além da política: Quando inclusão social e infraestrutura disputam espaço dentro do orçamento público, como a cidade define suas prioridades?
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