Deputado Elismar Prado Comemora Vitória em BH, mas em Monte Carmelo, Prefeito, Vereadores do PSD e Basse do Prefeito Vetam projeto Semelhante Para Pessoas Com Cutismo.
Enquanto o deputado estadual Elismar Prado (PSD) celebra publicamente a derrubada do veto do governador à criação de Centros Regionais de Atendimento às Pessoas com Autismo em Minas Gerais, a população de Monte Carmelo presencia uma realidade bem diferente. O prefeito da cidade, Ricardo Ferreira, também do PSD, vetou um projeto semelhante, de autoria do vereador Caxias, que previa políticas de apoio e inclusão para pessoas com autismo no município.
O veto do prefeito foi amplamente repercutido pelo Jornal Sentinela Carmelitano, que destacou ainda que vereadores da base do PSD acompanharam e defenderam o veto ao projeto, mesmo diante de pedidos de familiares e apoiadores da causa.
A proposta apresentada por Caxias tinha como objetivo estabelecer diretrizes municipais de atendimento, acompanhamento e inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforçando direitos e criando condições para um serviço especializado. No entanto, o Executivo municipal, que foi apoiado em campanha pelo deputado Elismar Prado (PSD) em Monte Carmelo, barrou a iniciativa, sob justificativas ainda não claramente explicadas à população.
A incoerência partidária chamou atenção: nas redes sociais, Elismar Prado publicou um card comemorando a vitória na Assembleia Legislativa, ao lado do selo de “Vitória!” E com a frase “Derrubamos o veto do governador à criação dos centros regionais”. O deputado votou contra o veto do governador e defendeu a importância do projeto para garantir dignidade e atendimento adequado às pessoas com autismo em Minas Gerais.
A situação em Monte Carmelo gerou revolta entre pais, profissionais da saúde e cidadãos que acompanham a luta das famílias com filhos autistas. “É no mínimo contraditório. O deputado do PSD se diz defensor da causa em Belo Horizonte, mas aqui os colegas de partido fazem exatamente o oposto”.
Até o momento, o prefeito Ricardo Ferreira e os vereadores do PSD em Monte Carmelo não se manifestaram publicamente para explicar as razões do veto. Já o vereador Caxias afirmou, em nota, que seguirá lutando pela causa e que não desistirá de defender os direitos das famílias carmelitanas que convivem com o autismo.
A expectativa agora recai sobre a possibilidade de a Câmara Municipal derrubar o veto do prefeito, assim como aconteceu na Assembleia Legislativa, onde prevaleceu o interesse da causa sobre a conveniência política.
Fico pensando... O barulho de Belo Horizonte e o silêncio de Monte Carmelo entre palmas e portas fechadas.
Em Belo Horizonte, o céu parecia mais azul naquele dia. O deputado Elismar Prado (PSD), de sorriso largo e card colorido nas redes sociais, comemorava a vitória com gosto de missão cumprida. “Vitória!”, dizia o selo. Vitória das famílias, vitória da inclusão, vitória da humanidade. Palmas para o deputado. Palmas para Minas. Palmas para o PSD.
Mas enquanto as luzes da capital brilhavam sobre a causa do autismo, Monte Carmelo amanhecia sob uma sombra incômoda.
Ali, no interior onde as pessoas ainda se cumprimentam com um “bom dia” demorado, o mesmo partido que celebrou a inclusão em escala estadual vetava, com frieza técnica e pouco diálogo, uma proposta local de acolhimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista. O projeto, escrito com o coração pelo vereador Caxias, não teve vez diante da caneta do prefeito Ricardo Ferreira, sim, também do PSD.
Mas, cá em Monte Carmelo, o mesmo PSD protagoniza outro enredo. Menos iluminado, mais abafado. Aqui, o prefeito Ricardo Ferreira, também do PSD, vetou um projeto com o mesmo espírito: garantir cuidado e dignidade para quem vive com autismo. A proposta era do vereador Caxias. Era, porque foi barrada.
E, como num teatro de ironias, os vereadores aliados do prefeito, todos afinados no tom partidário, repetiam em coro o veto, ignorando os olhos marejados de mães que pediam apenas compreensão. Não, dinheiro. Não milagre. Compreensão.
Como se não bastasse o peso do veto, coube ainda à procuradora do município, com argumentos tão técnicos quanto frios, defender o indefensável. A ela se juntou o procurador da Câmara Municipal, que mais parece o 10º vereador, tamanha sua disposição em dar pareceres sempre contra os interesses da população. Desde que o Jornal Sentinela existe, nunca se viu esse servidor levantar a voz em favor do povo.
Aliás, voz ele até tem, mas no plenário, onde nem deveria estar sentado em dias de plenários, pois está, fazendo mais o papel de conselheiro político do que de assessor jurídico. Muito bem remunerado, com salário de cinco dígitos pagos pelo povo, o mesmo povo que ele parece esquecer assim que sobe os degraus da Câmara. Não é difícil entender: ele também é funcionário de uma faculdade privada das mais conhecidas da cidade e já apareceu em várias reportagens deste mesmo jornal, quase sempre em episódios que exigem mais explicações do que respostas.
Não é de hoje que os discursos em palanques altos se perdem no eco das cidades pequenas. O que se diz na Assembleia vira silêncio na Câmara. O que se defende em BH vira descaso em Monte Carmelo. É o PSD das duas caras, uma que sorri em Brasília ou na capital, e outra que vira o rosto quando a dor é do lado de cá, bem aqui, na esquina da casa da gente.
Enquanto isso, uma mãe em Monte Carmelo continua explicando ao filho o que é um mundo que diz “sim” em cartazes bonitos, mas que ainda responde com um “não” onde mais se precisa dele: na prática. Tudo isso sob o mesmo slogan oficial: “Monte Carmelo com você sempre” ou “sem deixar ninguém para trás”? Exceto, talvez, os autistas.
O Jornal Sentinela Carmelitano reafirma seu compromisso com a transparência, a ética e o interesse público, mantendo sempre aberto o espaço para manifestações das partes citadas e de seus representantes. Nossa equipe de reportagem permanece à disposição para ouvir, publicar e dar voz a todos os esclarecimentos que se fizerem necessários. A população maior interessada nesse processo tem o direito de ser informada com clareza e objetividade. O Sentinela continuará firme em seu papel de canal de comunicação comprometido com a verdade, com a justiça social e com a democracia.
