Ano novo, privilégio velho: Será que a Câmara de vereadores vai banca plano de luxo para vereadores enquanto população segue nas filas do SUS em 2026?
Com salários que ultrapassam R$ 20 mil, servidores e vereadores de Monte Carmelo terão plano de saúde pago com dinheiro público incluindo mensalidades e coparticipações. Enquanto isso, moradores enfrentam longas esperas por atendimento básico na rede pública.
Câmara bancara até coparticipação em plano de saúde de luxo para vereadores, e população segue à espera de atendimento básico, casa aderirem ao plano de saúde!
Com salários que ultrapassam os R$ 20 mil, servidores e parlamentares da Câmara de Monte Carmelo (MG), vão contam com plano de saúde pago com dinheiro público, incluindo mensalidades e coparticipações. A população questiona se o benefício entrara em vigor em 2026, enquanto as filas no SUS local crescem.
Enquanto pacientes aguardam dias por uma simples consulta, ou vaga nos mutirões de cirurgias na rede pública de Monte Carmelo (MG), os vereadores e servidores da Câmara Municipal vão contar com um plano de saúde de cobertura nacional ou estadual totalmente custeado com recursos públicos inclusive com a cobertura de despesas por uso, como consultas e pronto-atendimentos. O privilégio foi garantido pela Lei Municipal nº 2.310/2025, sancionada em novembro pelo prefeito Ricardo Ferreira, após aprovação unânime na Câmara.
Fonte: Diario Oficial Prefeitura de Monte Carmelo
Plano com cobertura total, inclusive para coparticipações
O benefício foi proposto pela Mesa Diretora da Câmara, composta por:
- Ex-Presidente: Sidicley de Souza Peres (PSD), conhecido como Sidicley Protetor dos Animais
- Vice-presidente: Amir Campos Ferreira (Amir Batata – PSD)
- 1ª Secretária: Simone Teles da Silva Costa (Simone Teles – PSD)
O projeto de lei nº 4655/25, aprovado em 06/11/2025, autoriza a contratação de um plano de saúde com cobertura em todo o território nacional ou estadual, destinado exclusivamente aos servidores e parlamentares da Câmara. A lei determina que todos os custos mensalidades e coparticipações serão pagos integralmente pela Casa Legislativa.
A reportagem consultou uma operadora de plano de saúde com cobertura nacional e obteve os valores atualizados a partir de 01/08/2024:
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Faixa Etária |
Valor Mensal (R$) |
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0 a 18 anos |
397,45 |
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19 a 23 anos |
457,07 |
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24 a 28 anos |
525,63 |
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29 a 33 anos |
604,49 |
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34 a 38 anos |
695,14 |
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39 a 43 anos |
799,43 |
|
44 a 48 anos |
975,31 |
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49 a 53 anos |
1.267,91 |
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54 a 58 anos |
1.648,27 |
|
59 anos e acima |
2.383,43 |
Em média, cada beneficiário pode gerar uma despesa de R$ 390,00 por mês, considerando as faixas etárias mais comuns entre os servidores. Para vereadores e servidores com mais de 59 anos, o custo mensal ultrapassa R$ 2.300,00 valor equivalente ao que um morador da cidade gasta em um ano com medicamentos.
Coparticipações também são pagas com dinheiro público
Além da mensalidade, o plano prevê coparticipação um valor pago por atendimento médico. No entanto, a própria lei determina que esse custo adicional também será custeado pela Câmara.
Segundo a operadora consultada, os valores de coparticipação incluem:
- Consultas eletivas (consultório): até 50% do valor praticado por evento
- Pronto Atendimento (PA): até 50% do valor praticado por atendimento
Ou seja: quanto mais os vereadores e servidores usarem o plano, mais a Câmara paga.
Salários já são elevados e gasto com plano se soma
A medida vem sendo criticada pela população, uma vez que os salários bruto pagos aos servidores e parlamentares da Câmara já são considerados elevados para a realidade do município:
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Cargo |
Salário Bruto (R$) |
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Vereadores |
9.804,11 |
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Técnico de Contabilidade |
21.571,33 |
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Técnico Legislativo/Jurídico |
28.027,05 |
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Compras e Licitações |
21.038,11 |
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Controle Interno |
20.069,32 |
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Diretoria Geral |
7.521,77 |
Baseando-se em 2025, a Câmara conta com 9 vereadores. Esse custo pode chegar a R$ 11.560,79, sem falar nos aproximadamente 14 servidores da Casa. Considerando apenas os valores da mensalidade do plano, o custo anual pode ultrapassar R$ 261.009,96 isso apenas com o plano fixo, sem contar os gastos com coparticipações, reajustes e novos dependentes que pode ultrapassar esse valores.
Enquanto isso, a população enfrenta dificuldades diárias na rede pública de saúde. A própria redação deste jornal presenciou o caso de uma senhora que aguardava há messes por atendimento oftalmológico e relatou quase ter perdido a visão.
O contraste entre o plano de saúde bancado pela Câmara e a precariedade da saúde pública tem gerado forte insatisfação popular. Muitos moradores defendem que os vereadores deveriam utilizar o SUS, como qualquer outro cidadão, e usar sua posição para melhorar o sistema público em vez de buscar alternativas particulares pagas com recursos da própria população.
E agora, Câmara? Vai renovar fazer a licitação em 2026?
O ano já iniciou, e a expectativa gira em torno da licitação para contratação do plano para 2026. Até o momento, não há informações públicas sobre abertura de edital, critérios de seleção ou estimativas de custo total.
Em tempos de crise na saúde pública e pressão por mais responsabilidade fiscal, a continuidade de um plano de saúde de alto padrão pago integralmente com dinheiro público se torna um símbolo do distanciamento entre representantes políticos e a realidade dos representados. Em Monte Carmelo (MG), o próximo capítulo dessa história será escrito agora, em 2026.
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