Falta de água atinge bairro Santa Rita em feriado religioso e revolta moradores de Monte Carmelo-MG.
DMAE confirma baixa de 17% na capacidade do sistema; técnico alerta que setembro pode trazer novo colapso se não houver economia.
Em pleno feriado de Nossa Senhora da Abadia, celebrado no dia 15 de agosto, moradores do bairro Santa Rita, em Monte Carmelo (MG), foram surpreendidos por mais uma interrupção no fornecimento de água. O abastecimento só foi normalizado por volta das 16h, gerando revolta e dificultando a rotina de famílias que planejavam o dia para faxinas e celebrações tradicionais.
Uma moradora, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, relatou a insatisfação com a situação:
“No feriado, parece que somos esquecidos. Aqui no Santa Rita, ninguém se importa. É revoltante, com crianças pequenas, dia de fazer faxina na casa... e o pior: pagando caro no talão de água, isso quando não vem parecendo chá a água.”
A redação do Sentinela recebeu diversas ligações de moradores denunciando o problema. Procurado, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) confirmou a falha. Um funcionário, que falou sob anonimato, informou que o sistema operava com apenas 17% de sua capacidade na manhã do dia 15, o que comprometeu o abastecimento do bairro.
Segundo ele, o abastecimento começou a ser retomado gradualmente e, entre meia-noite e as 6h da manhã do dia seguinte, já estava estabilizado o abastecimento. No entanto, fez um alerta preocupante: se a população não economizar água, o cenário em setembro pode ser ainda mais grave.
Histórico de descaso.
Essa não é a primeira vez que os moradores do Santa Rita enfrentam problemas no abastecimento. Em setembro de 2024, o Sentinela já havia denunciado a situação. Na ocasião, foram feitas tentativas de contato com o diretor da época do DMAE, Anderson Pires, e com o então secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação, Governo e Turismo, Fábio José Gonçalves, sem retorno.
Por outro lado, conseguimos ouvir o Prof. Dr. Manoel Lucas Dantas Filho, com pós-doutorado em tratamento e reúso de águas residuárias pela Universidad Politécnica de Catalunya, apresentou alternativas emergenciais para o município. Trabalhei por quase cinquenta anos no Nordeste brasileiro e presenciei dezenas de cidades pararem seus abastecimentos por até seis meses seguidos, recebendo água apenas por carros-pipa, um sofrimento sem fim. Não é o caso de Monte Carmelo, que ainda tem água, apenas em quantidade insuficiente para o momento de estiagem.
Sentinela: “Os moradores estão cada vez mais preocupados com a situação das represas, que estão em níveis críticos. O que pode ser feito para reverter essa situação?”
Prof. Dr. Manoel Lucas: “Em caso de emergência, há duas soluções principais: a perfuração de poços para injetar água diretamente na rede, geralmente mais barata, ou a construção de uma adutora emergencial de engate rápido, utilizando fontes superficiais próximas. Essa última solução depende de articulação política com o governo estadual e federal. Um exemplo é o caso de Currais Novos (RN), que em 2017 conseguiu uma adutora de 20 km, executada pelo Batalhão de Engenharia do Exército.” Trabalhei por quase cinquenta anos no Nordeste brasileiro e presenciei dezenas de cidades pararem seus abastecimentos por até seis meses seguidos, recebendo água apenas por carros-pipa, um sofrimento sem fim. Não é o caso de Monte Carmelo, que ainda tem água, apenas em quantidade insuficiente para o momento de estiagem.
Fico pensando...
O futuro prometido ficou para depois… com sede. No palanque, era tudo diferente. Os discursos inflamados, os vídeos bem editados, os slogans que pareciam música para os ouvidos de quem sonhava com uma Monte Carmelo à frente, mas sem deixar ninguém para trás.
“Monte Carmelo com você sempre.” Soava bonito. E promissor. Mas, quando abrimos a torneira bem aqui, no bairro Santa Rita, o que escorre é o vazio. Ou, às vezes, um fio de água barrenta, quase um chá sem gosto, daqueles que não curam nem sede nem revolta.
Neste 15 de agosto, feriado de Nossa Senhora da Abadia, enquanto muitos aproveitavam o dia para reunir a família, limpar a casa ou fazer um almoço especial, a realidade bateu à porta ou melhor, não bateu, porque nem água havia para lavar o chão.
As ligações não pararam de chegar na Redação do Sentinela. Revolta, indignação, desabafo. Gente com criança pequena, gente pagando caro por um talão de água que mais parece promessa vencida. E um detalhe que grita: ninguém das autoridades se pronunciou. De novo.
O DMAE, quando pressionado, admitiu que o sistema estava operando com apenas 17% da capacidade. Um funcionário, que não quis se identificar (e a gente entende o porquê), informou que a situação foi "normalizada" na madrugada do dia seguinte. Normalizada para quem?
Mas o que mais preocupa é o alerta frio e técnico: em setembro pode piorar, se a população não economizar. Ora, e a parte do poder público, qual é?
Porque economia de água todo mundo já está fazendo na marra, no improviso, na panela lavada com meio copo, no banho cronometrado. O que não vemos é ação concreta, investimento, projeto, presença. Cadê o diretor do DMAE? Cadê o secretário de Desenvolvimento? Cadê o prefeito?
A gente lembra bem: em setembro de 2024, essa pauta já estava no noticiário. A reportagem foi publicada, as perguntas foram feitas. As autoridades? Silenciaram. Já o Prof. Dr. Manoel Lucas Dantas Filho respondeu e ainda nos ensinou que há, sim, soluções emergenciais, como perfuração de poços ou adutoras de engate rápido. Mas que isso depende de vontade política, isso mesmo, dona de casa e população, você não leu errado não, FALTA DE VONTADE POLÍTICA. Aquela que parece ter evaporado, junto com as promessas de campanha.
E por falar em campanha... Lembram-se do esgoto que transbordou recentemente na rua próxima à casa do atual diretor do DMAE? Nem isso pareceu constranger o suficiente para acelerar providências. Já passou da hora de deixar os slogans de lado e encarar a cidade real, aquela onde a água some, o esgoto volta e a população segue pagando caro por um serviço que não entrega o mínimo.
É por isso que a pergunta ecoa nos corredores da cidade: “Monte Carmelo com você sempre?” Depende. Com quem, exatamente?
Nota da Redação.
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