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Quarta-feira, 22 de Abril 2026
Secretário nega. Documento desmente.

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Secretário nega. Documento desmente.

Enquanto o secretário Paulo Rocha acusa veículos de espalhar mentira, documento oficial da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirma: partos serão realizados em Patrocínio. Quem está desinformando quem?

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Secretário chama de “fake news”, mas Monte Carmelo perdeu sim a referência para partos pelo SUS.

Enquanto o secretário Paulo Rocha acusa veículos de espalhar mentira, documento oficial da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirma: partos serão realizados em Patrocínio. Quem está desinformando quem?

Monte Carmelo já não é mais referência regional para partos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A confirmação consta em documento oficial da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que redefiniu o fluxo obstétrico da região na última pactuação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), aprovada em novembro de 2025.

Apesar da mudança formal, o secretário municipal de Saúde, Paulo Rodrigues Rocha, afirmou em entrevista a um canal local, no dia 24 de dezembro, que a informação seria “mais uma fake news”. Segundo ele, a saúde do município estaria “organizada", cuidando bem do nosso povo” e que “essas inverdades são espalhadas por páginas aí que não têm credibilidade nenhuma”.

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A declaração acendeu o alerta. Nossa redação buscou diretamente a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que confirmou, por nota oficial, que Monte Carmelo deixou de ser unidade de resolução de partos, passando a atuar apenas como porta de entrada e estabilização de casos obstétricos, com regulação para a Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio.

Documento contradiz discurso local

O documento do novo fluxograma da Rede de Urgência e Emergência (RUE) do Macro Triângulo Norte, que inclui a Microrregião Patrocínio/Monte Carmelo, estabelece que todos os partos de risco habitual ou alto risco deve ser realizados em Patrocínio.

Fonte: SES-MG
Fonte: SES-MG
Fonte: SES-MG
Fonte: SES-MG

Monte Carmelo não foi classificado como microrregional dentro da tipologia da política Valora Minas, que organiza a Atenção Hospitalar no estado.

A exclusão do Hospital e Maternidade Virgílio Rosa da Rede de Atenção ao Parto foi motivada por três fatores:

  • Baixo volume de partos realizados em 2024 (278 procedimentos);
  • Necessidade de reorganização da rede hospitalar, com foco na eficiência e segurança;
  • Não cumprimento de responsabilidades previstas na Deliberação CIB-SUS nº 3.222/2020.

 

Sobre a Deliberação CIB-SUS nº 3.222/2020

A Deliberação CIB-SUS nº 3.222/2020, aprovada em Minas Gerais, estabelece regras para reorganizar a rede de atenção ao parto e nascimento no Sistema Único de Saúde (SUS). A norma foi pactuada entre o governo estadual e os municípios, no âmbito da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), instância responsável por alinhar decisões entre os gestores do SUS.

O objetivo é garantir atendimento mais organizado, seguro e humanizado às gestantes e aos recém-nascidos, definindo fluxos, referências hospitalares e critérios de atendimento conforme o risco da gestação. A deliberação também orienta a revisão dos planos regionais da Rede Cegonha, política nacional voltada à saúde materna e infantil.

Com a medida, o Estado busca reduzir falhas no acesso ao parto, evitar a peregrinação de gestantes entre unidades de saúde e fortalecer a articulação entre municípios e hospitais de referência, assegurando que mulheres saibam previamente onde serão atendidas no momento do parto.

Na prática, a deliberação funciona como um marco regulatório estadual, orientando gestores e serviços de saúde sobre como estruturar e integrar a assistência ao parto e nascimento em Minas Gerais.

E a população, foi avisada?

Apesar do impacto direto dessa mudança na vida das gestantes e de suas famílias, não houve campanha de esclarecimento pública por parte da Prefeitura de Monte Carmelo.

O discurso institucional do secretário de Saúde, Paulo Rocha em um canal de comunicação local, foi:

“Nós não perdemos a referência de parto. Isso é uma mentira. Não sei de onde que eles tiraram essa informação de falar que Monte Carmelo vai encaminhar agora as gestantes para Patrocínio.”

Ele continua sustentando que “está tudo normal” na assistência obstétrica, o que contraria o fluxo oficial em vigor.

O silêncio institucional e a negação dos fatos levantam questões sérias sobre transparência, responsabilidade pública e o risco de desinformação:

  • Por que a mudança não foi amplamente comunicada à população?
  • Quem se responsabiliza por eventuais intercorrências durante o deslocamento de gestantes?
  • Qual o plano para retomar os partos no município, se houver?

 

O que diz a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG)

Em resposta à nossa redação, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais afirmou que a medida faz parte de um conjunto de ações estratégicas para fortalecer a Rede de Urgência e Emergência em todo o estado. A reorganização foi pactuada com representantes municipais e hospitalares da região.

A nota também esclarece que, entre 2021 e o segundo quadrimestre de 2025, o Estado repassou R$ 2,1 milhões ao Hospital de Monte Carmelo para fortalecimento da rede local.

O município poderá, eventualmente, voltar a integrar a Rede de Atenção ao Parto, desde que monitore, durante um ano, os impactos da nova configuração, como sobrecarga em Patrocínio, desassistência ou encaminhamentos desnecessários.

Transporte é dever do município

Segundo a a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o transporte das gestantes deve ser garantido pelas prefeituras. Para isso, o Estado investiu em veículos do programa Transporta SUS, além de garantir a cobertura total do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Minas Gerais. A cobertura plena do SAMU, diz a pasta, assegura atendimento pré-hospitalar para todas as regiões.

No entanto, especialistas apontam que nenhuma estrutura de transporte substitui a existência de um serviço obstétrico local funcionando adequadamente. Em casos de urgência, o tempo entre a estabilização e o deslocamento pode ser determinante para a vida da mãe e do bebê.

Natalidade em queda

A decisão também se apoia em dados populacionais. Segundo o Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a taxa de natalidade em Minas Gerais caiu 16,4% entre 2019 e 2023 um dado que, segundo a SES-MG, impacta diretamente a necessidade de redistribuição da rede obstétrica.

Quem está dizendo a verdade?

Em meio às falas do secretário Paulo Rodrigues Rocha, que nega a perda da referência obstétrica, e os documentos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que afirmam o contrário, fica a pergunta: quem está falando a verdade?

O documento é público. As pactuações são oficiais. E os impactos são reais. Negar o que está registrado em ata e validado em comissão estadual não apenas confunde a população, mas coloca em risco a confiança na gestão pública da saúde.

Afinal, quando a administração local nega fatos documentados e acusa jornalistas de divulgar "fake news", o problema não é mais técnico. É político, ético e institucional.

“Quando a verdade dos documentos é tratada como boato, e o boato vira política oficial, o jornalismo tem a obrigação de fazer o que a gestão não fez: contar a verdade para a população.”

O Jornal Sentinela Carmelitano reafirma seu papel como veículo comprometido com a informação de interesse público, a fiscalização dos poderes e o respeito à pluralidade de vozes. Seguiremos acompanhando este caso com responsabilidade, assegurando espaço para o contraditório e mantendo nosso compromisso com a ética, a transparência e o jornalismo que nos guiam desde o primeiro exemplar.

Porque jornalismo não é conivência. É compromisso com a verdade e com quem nos lê.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social / Secretaria e Estado de Saúde

FONTE/CRÉDITOS: Redação Sentinela Carmelitana / Assessoria de Comunicação Social / Secretaria e Estado de Saúde
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Banco de dados
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Ricardo Alexandre

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